Juliana, 20 – Nurse

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Eu nasci numa sociedade machista e o que mais me admira é que as mulheres são machistas. Em minha família, minha mãe se recusa a deixar meu pai lavar uma louça, e o que ele fala é sempre uma ordem (nunca vi ela dar a própria opinião ao discutir algo, simplesmente aceita o que ele fala). Minha madrinha refere a cozinha da casa onde o filho dela mora como “cozinha da nora”. Meu tio trata sua esposa como se fosse sua empregada. Estes são alguns poucos exemplos do que acontece na minha família. Mas o evento machista que mais me incomodou esses dias foi um que presenciei em minha faculdade, escola de enfermagem da USP, quando uma professora, durante a aula, falava sobre trabalhos que causam desgastes físicos. Ela citou “trabalho feminino” como um deles. Essa citação me causou um impacto tão forte, porque eu não esperava ouvir de uma mulher que o trabalho doméstico é trabalho feminino, muito menos quando esta mulher é doutora em enfermagem, visto que nessa área temos varias ações feministas.


 

I was born in a chauvinist society, and what surprises me most is that even women are chauvinist. In my family, for example, my mother never lets my father do any domestic task, like washing the dishes, and what he says is always an order (I have never seen her giving her opinion about nothing, only agreeing). My godmother refers to the kitchen of her son’s house as “my daughter-in-law kitchen”. My uncle treats his wife as his housekeeper. Those are just some few examples of what happens in my family. But the last event that chocked me most was in my University, USP nursing school, when a professor was talking about physical wear activities and mentioned “domestic tasks” as “feminine tasks”. It caused such an impact on me, because I wasn’t expecting to hear from a woman that “domestic tasks” are “female tasks”, and it is even worse when this woman is a nursing PhD, and in this area we have plenty of feminist movements.

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