Andreza, 21 – Nurse

Dificuldade enfrentada pela mulher brasileira numa sociedade machista

Recentemente uma adolescente de 17 anos foi estuprada por mais de 30 homens. Sim, 30 homens que se sentiram no direito de estupra-la inconsciente numa favela do Rio de Janeiro e publicarem o vídeo no Twitter, este que foi compartilhado por milhares de pessoas. Recebi essa notícia com nojo e desesperança de ser mulher numa sociedade tão machista como o Brasil. Diante da repercussão do ocorrido nas redes sociais, infelizmente tive que ler opiniões machistas vindo de homens e mulheres. A última me surpreendeu, pois não esperaria que uma mulher tivesse a capacidade de culpar outra pelo estupro.

É triste saber que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil e mais triste ainda é saber que enquanto escrevia esse documento algumas mulheres foram estupradas e não terão coragem de denunciar o caso, sendo abafado. Estou visando no tema estupro porque é o que mais tenho medo em relação à sociedade machista na qual vivemos e ter me chocado de tal forma, tenho medo de andar a noite na rua, tenho medo de chamar atenção dos homens quando coloco roupas curtas, tenho medo de entrar em taxi sozinha, tenho medo de ficar no mesmo ambiente com vários homens desconhecidos, tenho medo quando o ônibus está vazio, tenho medo de me expor ao ponto de quererem me culpar pela violência que venha ocorrer. Vivo de medos e me questiono diariamente até quando irei ter que suportar tudo isso.

Ter que suportar homens com salários superiores aos das mulheres mesmo sendo a mesma profissão, escutar piadas sobre mulheres que dirigem,  homem idealizando a mulher perfeita para relacionamentos sérios e menosprezar as que preferem seguir a vida do jeito que bem entender, julgamentos por estar bêbada na balada ou até mesmo por estar numa balada, porque ali não é lugar de “mulher de respeito”,  a obrigação de saber cozinhar, ter filhos e casar,a erotização da mulher na mídia, música e afins, esses são apenas algumas dificuldades que enfrentamos diariamente e, acredito que, isso varia de família para família/estado para estado. Nasci no sertão da Bahia e com frequência visito meus familiares e amigos, percebo o quanto os moradores de lá são machistas, homens e mulheres, e vivo um choque de realidade toda vez que viajo pois apesar de vivenciar o machismo na capital de São Paulo, na Bahia parece ser algo mais gritante ainda e isso me preocupa bastante pois muitas mulheres que estão ali não tem voz para combater.

Felizmente, existem milhares de mulheres que lutam contra o machismo de cada dia e é com elas que aprendo todo o conhecimento que tenho hoje, faço questão de questionar meus amigos quando tem atitudes machistas e é a partir dessa corrente que um dia poderemos acreditar que o machismo não existirá mais.

 

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